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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

As Misericórdias de Hoje Para os Problemas de Hoje

Meditação sobre Mateus 6.34

“Não fiquem ansiosos a respeito do amanhã, porque o amanhã trará suas próprias ansiedades. Para hoje, é suficiente o seu próprio problema.”
(Tradução do autor.)

Uma parte da fé salvadora é a segurança de que amanhã teremos fé. Confiar em Cristo hoje inclui o crer que Ele lhe dará a confiança de amanhã, quando o amanhã chegar. Com freqüência, sentimos que nossa reserva de forças não será suficiente para mais um dia. E, de fato, não será. Os recursos de hoje são para hoje; e uma parte desses recursos é a confiança de que novos recursos nos serão dados amanhã.
O alicerce desta segurança é o maravilhoso ensino bíblico de que Deus determina para cada dia apenas a quantidade de problemas que este dia é capaz de suportar. Em nenhum dia, Deus permitirá que seus filhos sejam provados além do que a sua misericórdia para aquele dia suportará. Isso foi o que Paulo quis dizer em 1 Coríntios 10.13:
“Nenhuma prova lhes tem sobrevindo, que não seja comum ao homem. Deus é fiel, e não permitirá que sejam provados além do que são capazes de agüentar, mas, com a prova, Ele também dará o meio de escape, para que possam suportá-la” (tradução do autor).
O antigo hino sueco “Dia a Dia” é baseado em Deuteronômio 33.25: “ A tua força será como os teus dias (ARC)”. O hino nos dá a mesma segurança:
Dia a dia e a cada momento que passa,
Acho forças para enfrentar minha provação,
Confiando na sábia outorga de meu Pai,
Não tenho motivo para temor ou inquietação.
A sábia outorga de meu Pai é equivalente à quantidade de problemas que podemos suportar a cada dia—e nenhum problema a mais:


Ele, cujo coração é imensurávelmente bom,
Com amor, dá a sua parte de prazer e dor,
E, a cada dia, o que julga o melhor dom
Mesclando com paz e descanso e intenso labor.

Juntamente com a medida de dor para cada dia, Ele nos dá novas misericórdias. Este é o argumento de Lamentações 3.22-23: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não tem fim; renovam-se a cada manhã. Grande é a tua fidelidade”.
As misericórdias de Deus são novas cada manhã, porque existem misericórdias suficientes para cada dia. É por isso que tendemos a entrar em desespero, quando pensamos que talvez possamos ou tenhamos de levar os fardos de amanhã com os recursos de hoje. Deus deseja que estejamos cientes de que não podemos. As misericórdias de hoje são para os problemas de hoje; as de amanhã, para os problemas de amanhã.
Às vezes, nos perguntamos se teremos misericórdia para permanecermos firmes em provas terríveis. Sim, teremos. Pedro disse: “Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória se manifesta. Aconteceu com Estevão, quando ele estava sendo apedrejado (At 7.55-66). Acontecerá com você. Quando o Espírito e a glória são necessários, eles surgem.
O maná no deserto foi dado uma vez por dia. Não havia armazenagem de maná. Essa é a maneira como temos de depender da misericórdia de Deus. Você não recebe hoje a força para levar os fardos de amanhã. Recebe misericórdias hoje para os problemas de hoje. Amanhã, as misericórdias serão renovadas. “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (1 Co 1.9). “Fiel é o que vos chama, Ele também agirá!” (1Ts 5.24—tradução do autor.)

 John Piper
 Pastor da Igreja Batista Bethlehem, em Minessota 

Extraído de "Uma vida voltada para Deus" - John Piper, Ed. Fiel, 2007.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Senhor, além de ti não há quem possa socorrer. (2 Cr 14.11.)


Lembremos ao Senhor a inteira responsabilidade dEle: "Além de ti não há quem possa socorrer". As desvantagens de Asa eram enormes. Vinham contra ele um milhão de homens, além de trezentos carros. Parecia impossível manter-se de pé contra aquela multidão. Não havia aliados que pudessem vir auxiliá-lo. Sua única esperança, portanto, estava em Deus. Às vezes Deus permite que as nossas dificuldades cheguem a um tal ponto, que sejamos levados a renunciar a qualquer auxílio humano — a que tenhamos recorrido em provações menos duras — e a buscar de novo o Amigo todo-poderoso.

            Ponhamos o Senhor entre nós e o inimigo. Para a fé de Asa, era como se Jeová estivesse de pé entre ele — que não tinha forças — e o poderio de Zerá. E não estava enganado. Lemos que os etíopes foram destruídos diante do Senhor e diante do seu exército — como se combatentes celestes estivessem lutando por Israel contra o inimigo e pondo em fuga seu grande exército; de modo que Israel só teve de segui-lo e tomar os despojos. Nosso Deus é Jeová dos exércitos, que, para ajudar Seu povo, pode a qualquer momento convocar reforços inesperados. Creiamos que Ele está ali, entre nós e a dificuldade, creiamos, e então aquilo que está-nos perturbando fugirá diante d’Ele como fogem as nuvens ante o vento forte. — F. B. Meyer.

            Por fé, e não por vista. Abraão creu, e disse à vista: "Sai do caminho!"; e às leis da natureza: "Calai-vos!"; e a um coração apreensivo: "Aquieta-te, enganoso tentador!" Ele creu em Deus. — J.P.

Senhor, interpõe-Te entre mim e o inimigo;
Eu vejo que em mim não há forças.
É Tua a peleja.
Combate por mim.
Espero na Tua vitória.

Senhor, interpõe-Te entre mim e este mundo,
A vida se torna difícil! Não pertenço mais a ele.
Tu és meu refúgio.
Assiste-me.
Vive por mim!

Senhor, interpõe-Te entre mim e o que é lícito.
Eu quero que estejas no centro.
Que rejas em tudo e me dês equilíbrio.
Expande em meu ser Tua vida.
            Amém.


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Graça Futura


A gratidão é uma emoção saudável para a adoração, mas é um motivo perigoso para a obediência. Somos ordenados em termos explícitos a sermos agradecidos: “Seja a paz de Cristo o arbitro em vosso coração e sede agradecidos” (Cl 3.15).
“Em tudo daí graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1 Ts 5.18). Como podemos não ser agradecidos quando devemos tudo a Deus?
            Mas, no que concerne à obediência, a gratidão é um motivo perigoso. Tende a se expressar em termos de dívida- ou no que às vezes chamo de ética de devedor. Por exemplo: “Veja o quanto Deus tem feito por você. Motivado por gratidão, você não deveria fazer muito por Ele?” Ou: “Devemos a Deus tudo o que temos e somos. O que temos feito por Ele, em retribuição?”
            Encontro, pelo menos, três problemas nesse tipo de motivação. Primeiro, é impossível pagarmos a Deus por toda a graça que Ele nos tem dado. Não podemos nem mesmo começar a pagar-Lhe, visto que Romanos 11.35-36 afirma: “Quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? [Resposta: ninguém.] Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente”. Não podemos restituir a Deus porque Ele já possui tudo o que temos para lhe dar.
            Segundo, ainda que fossemos bem-sucedidos em compensar a Deus por todas as suas graças para conosco, seríamos bem-sucedidos, apenas em tornar a graça uma transação comercial. Se pudéssemos pagar-Lhe, a graça não seria graça. “Ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida” (Rm 4.4). Se tentássemos negociar com Deus, anularíamos a graça. Se os amigos tentam mostrar-lhe um favor especial, de amor, convidando-o para  jantar, e, ao fim da noite você diz que os recompensará, recebendo-os na próxima semana, você anula a graça de seus amigos e a transforma em comércio. Deus não gosta de ter sua graça anulada. Ele gosta de tê-la glorificada (Ef. 1.6,12,14).
            Terceiro, focalizar a gratidão como um elemento que capacita a obediência tende a menosprezar a importância crucial da graça futura. A gratidão olha para trás, contempla a graça recebida e sente-se grata. A fé olha adiante, vê a graça prometida para o futuro e sente esperança. “A fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem” (Hb11.11).
            A fé na graça futura é o poder para a obediência que preserva a agradável qualidade da obediência humana. A obediência não consiste em recompensar a Deus e, assim tornar a graça em comércio. A obediência resulta da confiança de que Deus nos dará mais graça—graça futura—e esta confiança magnifica os infinitos recursos do amor e do poder de Deus. “Trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1Co 15.10). A graça que capacitou Paulo a trabalhar muito, em uma vida de obediência, consistia na chegada diária de novos suprimentos de graça. É nisto que a fé confia—a contínua chegada de graça. A fé contempla promessas como: “ O Senhor, teu Deus é contigo por onde quer que andares” (Js 1.9) e, nessa confiança, a fé se aventura, em obediência, a tomar a promessa.
            O papel bíblico da graça passada—especialmente a cruz—é garantir a certeza de graça futura: “Aquele que não poupou o seu próprio filho, antes por todos nós o entregou [graça passada], porventura não nos dará graciosamente com ele todas as coisas [graça futura]?” (Rm 8.32) Confiar na graça futura é a força que capacita a obediência. Quanto mais confiamos na graça futura, tanto mais damos a Deus a oportunidade de mostrar, em nossa vida, a glória de sua inesgotável graça. Portanto, aproprie-se da promessa de graça futura e, com base nessa promessa, pratique um ato de obediência radical. Deus será poderosamente honrado.

 John Piper
 Pastor da Igreja Batista Bethlehem, em Minessota 

Extraído de "Uma vida voltada para Deus" - John Piper, Ed. Fiel, 2007.