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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Mananciais no Deserto

Tira para fora as suas ovelhas. (Jo 10.4.)
           
Ah, esse é um trabalho penoso para Ele e para nós — é penoso para nós o sair, mas é geralmente penoso para Ele o causar-nos sofrimento; contudo, isso precisa ser feito. Não seria bom para o nosso verdadeiro bem-estar permanecer sempre numa situação feliz e cômoda. Por isso, Ele nos tira para fora. O redil fica vazio, para que as ovelhas possam vaguear pelos salutares flancos das monta­nhas. Os obreiros precisam ser atirados ao campo da colheita, de outra forma se perderão os preciosos grãos.
Tomemos alento! Se Ele nos tira da proteção do aprisco, é porque ficar dentro não seria o melhor; e se a amorosa mão do Senhor nos faz sair, é porque isso é bom. Em Seu nome, avancemos para os pastos verdes, para as águas tranqüilas e para os altos montes! Ele vai adiante.
O que quer que nos espere no caminho, Ele O encontrará primeiro. Os olhos da fé podem sempre discernir, à frente, a Sua majestosa presença; se não pudermos reconhecê-la, então é perigoso avançar. Guardemos no coração esta palavra de ânimo: o Salvador já experimentou todas as dificuldades que agora Ele nos pede para enfrentar; e não nos pediria para atravessá-las, se não estivesse certo de que não são difíceis demais para nós, nem estão além das nossas forças.
 Assim é a vida abençoada: não fica ansiosa por ver à distância ou preocupada com o próximo passo; não deseja escolher o caminho nem se sobrecarrega com as responsabilidades do futuro; mas vai calmamente seguindo atrás do Pastor, um passo por vez.

Eu vou andando com meu Pastor;
Passo por passo. Não vejo ao longe,
- Nem posso ver
Mas os caminhos a escolher
Meu Pastor sabe; e me dirige,
Passo por passo.

Tudo Ele sabe; tudo conhece;
Já palmilhou estes caminhos;
Pode valer-me. E vai à frente
Passo por passo.
Pra me atacar, todo inimigo
Terá primeiro de enfrentar
O meu Pastor. E Ele me guarda
Passo por passo.

Que temerei, o meu passado?
Seja por Ele achei perdão?
Quanto ao futuro,
Está guardado em Sua mão.
Quanto ao presente...
Eu vou andando com meu Pastor,
Passo por passo.

O pastor oriental ia sempre adiante das ovelhas. Qualquer ataque contra elas o tinha pela frente. Deus está adiante de nós. Ele está nos amanhãs. É o amanhã que enche os homens de pavor. Mas Deus já está lá. Todos os amanhãs da nossa vida têm que passar por Ele antes de chegarem até nós. — F. B. M.

Extraído do livro "Mananciais no Deserto"--
 Lettie Cowman, Ed. Betânia, 1999. 


Deus abençoe a sua vida!
Naíla Lopes

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Fontes Transcendentes de Ternura

Meditação sobre Deuteronômio 10.17-19


Pois o Senhor, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno; que faz justiça ao órfão e a viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e vestes. Amai, pois, o estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito.


A ternura de Deus para com os humildes está arraigada em sua auto-suficiência transcendente. Isto significa que aqueles que amam enaltecer a grandeza de Deus (o que todos deveriam fazer, de acordo com Salmos 40.16) precisam deleitar-se na ternura para com os humildes. Deus exalta a auto-suficiência transcendente por amar o órfão, a viúva e o estrangeiro.
Deus é Deus sobre todos os outros deuses. Ele é o Senhor sobre todos os senhores. Ele é o Senhor sobre todos os senhores. Ele é “grande”. É “poderoso”. É “temível”. Com base nesta grandeza, Moisés disse que Deus “não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno”. Tudo isso enfatiza a auto-suficiência transcendente de Deus. Ele não aceita suborno, porque não tem motivo para aceitá-lo. Deus já possui todo dinheiro do universo, e controla o subornador. Ele está acima dos subornos como o sol está acima das velas ou como a beleza está acima dos espelhos.
Moisés também disse que Deus não faz acepção de pessoas. Ou seja, Ele não tenta conquistar o favor de alguém por meio de tratamento especial. Fazer acepção de pessoas é outro tipo de suborno, não com dinheiro, mas com tratamento privilegiado. Deus está acima disso, porque não precisa do favor dos outros. Se Ele quer que algo seja feito, não fica preso a estratégias coercitivas. Ele simplesmente o realiza. Fazer acepção de pessoas é o que você faz, quando não pode enfrentar as conseqüências da justiça. Mas Deus não é somente capaz de enfrentar essas conseqüências, Ele é a fonte de toda capacidade de enfrentá-las. Deus não depende de ninguém, além dEle mesmo. Ele é transcendentemente auto-suficiente.
Agora, temos a parte mais preciosa. Com base nessa auto-suficiência transcendente, Moisés disse que Deus “faz justiça ao órfão e a viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e vestes”. Visto que Deus não pode ser subordinado pelo rico e não tem deficiências a serem remediadas por meio do favoritismo, Ele trabalha em favor daqueles que não se podem dar ao luxo de pagar subornos e que nada tem para atrair a parcialidade dEle—o órfão, a viúva e o estrangeiro. Esta é a razão por que eu disse que a ternura de Deus para com o humilde está arraigada em sua auto-suficiência transcendente.
Em seguida, temos a aplicação no versículo 19: “Amais, pois, o estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito”. Isto não deve ser feito por sermos transcendentemente auto-suficientes. Deve ser feito por sermos os benefícios da abundante plenitude transcendente de Deus. Visto que o nosso Deus transcendente age por nós e nos satisfaz consigo mesmo, podemos nos unir a Ele em condescendência. Esta é a razão para crermos que continuaremos a ser beneficiários, se não tentarmos subordiná-Lo com nossas obras ou exibir-nos para conquistar a predileção dEle. Se nos conhecermos como pessoas em condição de desamparo, semelhante à de uma viúva, de um órfão ou de um estrangeiro e dependermos da espontânea graça futura de um Salvador auto-suficiente,seremos amados para sempre. E, sendo amados dessa maneira, teremos poder e prazer em amar como somos amados.
Isto é o que está subentendido em Tiago 1.27: “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas atribulações”. Esta é a verdadeira religião, porque flui da auto-suficiência transcendente de Deus, é sustentada pela sua graça e ecoa para a sua glória. Isto não corresponde a fazer o bem socialmente. É uma evidencia da abundante provisão de Deus. Que Deus nos torne um povo cheio de ternura, para a glória de sua transcendente auto-suficiência!

John Piper
Pastor da Igreja Batista Bethlehem, em Minessota

Extraído de "Uma vida voltada para Deus" - John Piper, Ed. Fiel, 2007.


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Mananciais no Deserto

Eu seguirei guiando-as pouco a pouco, no passo do gado que me vai à frente... e no passo dos meninos. (Gn 33.14.)

Nós ainda não passamos por este caminho, mas o Senhor Jesus já passou. É um caminho ainda não palmilhado por nós, mas Ele o conhece todo por experiência pessoal. Os trechos íngremes que nos tiram o fôlego, os trechos pedregosos que nos magoam os pés, e outros escaldantes que nos deixam tão cansados, os rios turbulentos que temos de atravessar — por tudo isso Jesus já passou antes de nós.
Ele esteve "cansado da viagem". Não só algumas, mas todas as muitas águas passaram sobre ele; e não puderam apagar Seu amor. Ele é um guia perfeito, pelas coisas que padeceu. "Ele conhece a nossa estrutura, e lembra-se de que somos pó." Pense nisto, quando você for tentado a duvidar de que Ele o guia com bondade. Ele sabe de tudo, o tempo todo; e não vai fazer que você dê sequer um passo além do que os seus pés agüentam. Não se importe se acha que não será capaz de dar o próximo passo, pois, ou Ele lhe dará a força necessária para dá-lo, ou ordenará uma parada, e você não o terá que dar. — Frances Ridley Havergal
Que bonito este quadro do cuidado de Jacó para com o gado e as crianças. Não os deixaria cansarem-se demais por um dia sequer. Não iria conduzi-los segundo a rapidez dos passos de um homem forte como Esaú, mas só de acordo com o que eram capazes de suportar. Ele sabia exatamente a distância que agüentariam percor­rer num dia; e foi só o que levou em conta ao programar as caminhadas. Ele havia percorrido os mesmos caminhos desertos, tempos atrás, e conhecia por experiência as suas asperezas, calor e extensão. Por isso disse:
"Eu seguirei guiando-as pouco a pouco."
Tudo são flores?
E pastos verdes?
Sabes que não.
Nem sempre.

Mas a promessa diz fielmente
Que nada te faltará.
Por que temores?
O Mestre falha?

Eu sei que não.
Não falha.
Que tudo mude, tenho a promessa
De que Ele comigo está.

Lettie Cowman

Extraído de "Mananciais no Deserto" – Lettie Cowman, Ed. Betânia, 1999.